Quando o feedback é utilizado de forma adequada, a pessoa que o recebe tem condições de avaliar melhor seu comportamento no grupo, uma vez que ela é informada de alguns aspectos que até então lhe passavam desapercebidos. A partir dessa avaliação, ela pode modificar o seu comportamento e, com isso, contribuir para o funcionamento eficiente do grupo. Assim, o feedback leva a pessoa a uma melhor integração com o grupo e conseqüentemente, aumenta sua satisfação dentro deste. Algumas dicas para quem dá o feedback:
1. Qual a sua intenção? Antes de dar um feedback, é importante refletir sobre minha intenção em estar fazendo isto. O feedback deve ser um “presente” que você deverá oferecer para o crescimento do outro. Se esta não for a intenção, é melhor não fazer...
2. Fale direto para a pessoa: evite comentar com outras pessoas sobre algum fato que envolve você e algum colega de equipe. Isto vai provocando um clima cada vez pior no grupo. Além disto, sua postura profissional poderá ser questionada, pois este tipo de atitude pode ser classificada como “fofoca”.
3. Especifico: o feedback deve se referir a fatos específicos, evitando generalizações e utilizando rótulos. Por exemplo, em vez de dizer: “você é uma pessoa irritante”, o feedback seria mais bem utilizado se contivesse a seguinte informação: “você me irritou quando, na última reunião, não deixou que Silvia se manifestasse”.
4. Descritivo ao invés de avaliativo: para que o feedback possa atingir o objetivo de ajudar alguém se perceber melhor, ele deve ser mais descritivo do que avaliativo, isto é, deve descrever aspectos que tenham sido realmente observados no comportamento da pessoa. A pessoa que dá o feedback não deve julgar o comportamento da outra, mas apenas informá-la a respeito de como ele é percebido, reduzindo, assim, a necessidade desta última reagir defensivamente. Por exemplo, se alguém diz: “você teve uma boa participação na última reunião do grupo”, não está descrevendo o comportamento apresentado pela pessoa, mas apenas emitindo um julgamento sobre ele. Neste caso, um feedback mais útil poderia ser: “você manifestou sua opinião quando Paulo a solicitou”.
5. Mostrar os efeitos daquele tipo de comportamento: após descrever o fato ocorrido, é importante falar o que este gerou: Ex: “seu grito fez com que a equipe não desse mais idéias a respeito da festa de final de ano”, ou “quando você não me convidou para participar da reunião, eu me senti muito magoada...”.
6. Oportuno: o momento de se dar o feedback é outro fator de extrema importância para que realmente haja um aproveitamento de seu objetivo. Feedback na presença de outras pessoas pode gerar um constrangimento e conseqüente não aceitação por parte de quem está recebendo. Evite também deixar passar muito tempo do fato ocorrido: a tendência é de que se “deixe para lá”, ou ainda que o ouvinte nem se lembre ao certo o como agiu naquela ocasião. Obviamente, você só deverá dar o feedback caso perceba que tanto você quanto sua contraparte estão em condições psicológicas para dar e receber de forma adequada.
7. Solicitado: o momento mais oportuno para se dar um feedback é quando a pessoa solicita. Não perca oportunidades como esta.
8. Forma e conteúdo (amor verdade): a forma como se dá um feedback é tão importante quanto o conteúdo do que se está falando. Seja sempre franco com seus colegas de trabalho. As coisas que não são ditas claramente no dia-a-dia acabam aparecendo de outras maneiras que só corroem o relacionamento... Porém, isto deve ser feito sempre com cuidado e respeito. O carinho com que se consegue dar um feedback diminui possível resistência de quem está recebendo.
9. Checar se a pessoa entendeu: como cada um percebe os fatos de forma diferente, vale a pena perguntar o que a contraparte entendeu sobre seu feedback. Caso perceba alguma distorção, explique novamente.
10. Não existe quem está certo ou errado. Existem apenas percepções diferentes dos mesmos fatos. Não tente convencer sua contraparte de que você está com a razão. O mais importante é combinar como agirão no futuro em relação ao assunto tratado e como buscarão sinalizar quando alguém “fugir” do combinado.
11. Lembre-se: muitas vezes usamos o termo “feedback” como sinônimo de crítica, mas na verdade ele pode ser também positivo (um reconhecimento). É um retorno para o outro, pode ser um reconhecimento ou um ponto a ser melhorado. Muitas vezes, um elogio é a melhor forma de ajudar um colega a se desenvolver...
Para quem recebe um feedback, principalmente quando este se referir a um ponto a ser melhorado:
1. Ouvir sem justificar: muitas vezes, tendemos a justificar o porque somos ou agimos de determinada maneira. Isto é uma maneira de se defender de um feedback. Ouça o feedback, tire dúvidas caso não tenha entendido algo direito, agradeça e diga que irá refletir sobre o ocorrido.
2. Ouvir sem contra-atacar: também é muito comum aproveitarmos o momento que estamos recebendo um feedback para falar à contraparte coisas sobre ele. Se você não teve a iniciativa de dar um feedback ao colega, não deverá fazer isto quando ele teve. Lembre que este momento não está sendo nada fácil também para quem está lhe dando o feedback. Ouça, tire dúvidas caso não tenha entendido algo direito, agradeça e diga que irá refletir sobre o ocorrido.
3. Elaborar: normalmente feedback que informa sobre um ponto a ser melhorado é um prato de difícil digestão... Não é fácil quando nos deparamos com algo que não havíamos percebido de nós próprios. Leva-se um tempo para assimilarmos este tipo de coisa. Ao receber um feedback, mantenha-se aberto para pensar sobre aquilo que lhe foi dito. Pense se você já não fez isto outras vezes, talvez com outras pessoas. Não tente buscar justificativas do porque você agiu assim, isto só fará com que você se conforme e não busque mudar.
4. Verificar com outros: algo que pode ajudar no entendimento de um feedback recebido é buscar a percepção de outros colegas sobre alguma atitude sua. Busque pessoas que você confia e solicite que sejam sinceras e não “boazinhas”.
5. Tem que incomodar a ponto de fazer mudar: Se sua reação frente aos feedbacks é de “indiferença”, provavelmente não haverá mudança nenhuma em seu comportamento. Normalmente receber feedback gera um incômodo. Canalize esta energia para conseguir provocar uma mudança positiva em sua maneira de ser.
6. Lembre-se: não existe quem está certo ou errado. Existem apenas percepções diferentes dos mesmos fatos. Não tente convencer sua contraparte de que você está com a razão. O mais importante é combinar como agirão no futuro em relação ao assunto tratado e como buscarão sinalizar quando alguém “fugir” do combinado.
Joacir Martinelli.
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